domingo, 29 de maio de 2011

DiRT 3


Genialidade com tração nas quatro rodas


Videoanálise
No mundo dos jogos de corrida, a Polyphony Digital, criadora de Gran Turismo, a Electronic Arts, com seu Need for Speed, e a Microsoft, publicadora de Forza Motorsport, brigam a cada lançamento pelo primeiro lugar do pódio. Correndo por fora, porém, está a Codemasters, desenvolvedora que vem se mostrando uma potência, obtendo cada vez mais sucesso de crítica e conquistando espaço no coração dos fãs.
Após o ótimo F1 2010, chega às lojas DiRT 3, para PlayStation 3, Xbox 360 e PC. Apesar de não ser um estilo de corrida tão glamoroso, o rali aparece muito bem representado neste título, que é o primeiro a não carregar o nome do piloto Colin McRae. O bicampeão, que morreu tragicamente após a queda de seu helicóptero, em 2007, detém o recorde de ser o mais jovem corredor a vencer o mundial da categoria.
De acordo com a Codemasters, apesar da separação entre os nomes do game e do piloto, a principal filosofia de McRae continua presente. Para o atleta, correr em um rali significava não pensar nas consequências e apenas seguir o mais rápido possível até a linha de chegada. Tendo esse aspecto como ponto principal, a desenvolvedora entregou um dos melhores games de corrida desta geração.

Aprovado

Cuidado para não se sujar de terra!
Um dos principais aspectos que merecem ser citados quando se fala de DiRT 3 é seu realismo. O alto nível gráfico se estende a praticamente todos os aspectos do título e até mesmo pequenos detalhes que passariam despercebidos por muitos jogadores (e desenvolvedoras) recebem atenção da Codemaster.
Começando pelo ponto principal de qualquer jogo de corrida: os veículos. Todos são reproduções fiéis dos carros reais, incluindo o posicionamento dos anunciantes, detalhes de design e elementos internos. O painel de um Ford Fiesta do game, por exemplo, é reproduzido com perfeição, se descontadas, claro, as alterações feitas para a competição em um rali. O mesmo vale para todos os outros.
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Reflexos do ambiente na lataria também são muito bem feitos. A Codemasters exibe maestria no uso de shaders por meio dos efeitos ambientais em contato com os carros. Terra, barro e água são aplicados perfeitamente aos vidros e elementos metálicos, gerando um resultado muito bonito e ultrarrealista.
As pistas também são cheias de detalhes e reproduzem com perfeição os ambientes em que estão situadas. Em ralis na savana, por exemplo, é praticamente impossível enxergar o que está à frente devido à quantidade de poeira, enquanto a fuligem encontrada nas áreas industriais turva completamente a visão.
Elementos do cenário, mesmo não relacionados às corridas em si, também fazem das provas de DiRT 3 um show à parte. Ao longo do circuito, é possível observar casas, pequenas construções e outros detalhes que adicionam muito à ambientação do game. O destaque vai para a pista Taita Hills, que se passa quase completamente à beira de um precipício e exibe um dos visuais mais impressionantes de todo o jogo.
Sempre há algo novo para se fazer
Em DiRT 3, a Codemasters apresenta uma série de modos diferentes, de forma a aumentar a variedade e explorar ao máximo todo o potencial das corridas. Além das provas tradicionais, nos modos Rally ou Trailblazer, que levam em conta o tempo total que o jogador gastou para realizar o percurso, existem outros quatro tipos diferentes de competição.
O game inclui também alguns modos que lembram as corridas tradicionais, em pistas comuns. É o caso do Rallycross e do Head 2 Head, por exemplo, que acontecem em circuitos planos, sem tantos elementos hostis ou que exijam controle apurado do veículo.
Jogadores adeptos das manobras vão se divertir no modo Gymkhana. Aqui, os pilotos entram em uma espécie de arena e devem executar uma série de ações, como atropelar caixas, derrapar em alta velocidade ou circular totens. Quanto mais manobras, mais pontos são acumulados e, ao final, ganha o melhor “artista”.
Os modos online também contam com tipos de jogo únicos. São os modos Outbreak, em que um carro deve perseguir e infectar outros veículos; Transporter, versão do clássico “capture a bandeira”; e Invasion, que tem como objetivo atropelar robôs espalhados pelo cenário. Apesar de divertidos, esses tipos de corrida parecem deslocados em um game como DiRT 3, que privilegia a velocidade e a precisão.
A variedade é presente também na escolha de carros. DiRT 3 não apresenta um cardápio de veículos tão grande quanto o de Gran Turismo 5, por exemplo, mas utiliza carros diferentes para cada tipo de prova. Sendo assim, é possível trafegar pelas sinuosas trilhas utilizando buggies, caminhonetes, tratores de neve, carros tunados e até mesmo Mini Coopers, de acordo com o evento escolhido.
Prepare-se para renovar a carteira
Se você já é um especialista no mundo da velocidade virtual, prepare-se para sofrer um pouco na hora de jogar DiRT 3. Pilotar um carro em alta velocidade por uma pista lisinha é bem diferente de controlar um veículo com tração nas quatro rodas em um circuito sinuoso, cheio de rampas e detritos. Prepare-se para ver seu carro sofrer os duros efeitos do sistema de danos do game.
Pensando nisso, a Codemasters incluiu opções de dificuldade que abrangem todos os tipos de jogadores. Aqueles que não têm intimidade com o volante podem ligar assistentes de direção e freio, contar com uma linha que indica o melhor caminho a seguir pelas pistas e diminuir a dificuldade dos oponentes. Nesse caso, basta apenas controlar a aceleração e curvas.
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Já os mais experientes podem desabilitar toda e qualquer ajuda, contando apenas com a própria habilidade para vencer a corrida. Nesses casos, DiRT 3 se torna um game ainda mais difícil do que a maioria dos jogos de corrida presentes no mercado e apresenta as corridas de rali da maneira mais fiel possível em um video game.
Para todos, há o recurso Flashback, que permite ao jogador, literalmente, voltar no tempo e corrigir aquele erro que pode ter lhe custado a corrida ou melhorar ainda mais a entrada e a saída de uma curva. Não utilizar a função garante pontos extras ao final de cada prova.
Fidelidade sonora
A sensação de realismo proporcionada pela parte visual de DiRT 3 também existe quando o assunto é o áudio. O som de pedras, cascalho e chuva batendo na lataria dos carros é muito bem trabalhado e adiciona um aspecto interessante à sensação de pilotar. Também é possível ouvir a plateia incentivando os corredores durante a corrida, vibrando com um movimento ousado ou reagindo às manobras mal feitas.
Para aproveitar todo o potencial sonoro do game, o ideal é utilizar bons fones de ouvido ou um sistema de som potente. Nos alto-falantes comuns do televisor, eles ainda serão perceptíveis, mas perdem muitas de suas características.
Origami digital
Como último ponto positivo, vale a pena citar os menus diferenciados criados pela Codemasters. Apesar das fontes básicas e cores sóbrias utilizadas nas opções principais, todo o design das telas do game utiliza triângulos como recursos visuais.
Tal efeito é utilizado de forma interessante na campanha para um único jogador, que no game é chamado de DiRT Tour. Aqui, os eventos disponíveis ao jogador são apresentados por meio de dobraduras triangulares, que vão se desmontando de acordo com o progresso. Cada tipo de prova tem uma cor característica, que facilita sua identificação uma vez que o usuário se acostuma a elas.

Reprovado

Generalidades e repetições
O exímio trabalho realizado com os efeitos sonoros de DiRT 3, porém, não se expande a todos os elementos do jogo. É de se estranhar que uma desenvolvedora que demonstrou um cuidado todo especial com o som de detritos e outros elementos do cenário tenha deixado a desejar justamente em um dos elementos fundamentais de um game de corrida: o ronco dos motores.
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Ao contrário de F1 2010, também da Codemasters, em que cada veículo tem um som distinto, DiRT 3 utiliza sons genéricos e pouco inspirados. Todos os carros soam de forma muito parecida e não existem alterações com a variação de velocidade. Mesmo quando a diferença de performance entre dois modelos é gritante, ambos têm motores que gritam de forma extremamente parecida.
O mesmo vale para o copiloto, que não apresenta uma variedade de falas e, na maioria das vezes, não demonstra nem mesmo emoção em sua voz. O assistente se limita apenas a indicar a intensidade da próxima curva ou a aproximação de rampas, além de fazer esparsas indicações sobre o desempenho do jogador. Tudo isso, porém, poderia ser dispensado sem fazer falta alguma.
Esse erro já havia sido cometido em F1 2010 e, em DiRT 3, a Codemasters mostra que não aprendeu com as críticas feitas em relação a isso. Seria interessante ver uma telemetria mais apurada por parte do parceiro e ouvi-lo comentando o tempo dos rivais ou dando informações mais úteis sobre o progresso das corridas.
Plateia de aço
Nos pontos positivos, comentamos sobre a realidade extrema aplicada pela Codemasters a DiRT 3. Citamos também o trabalho sonoro feito com a plateia, que reage de maneira interessante aos movimentos da corrida. É uma pena que esse tipo de inteligência artificial aplicada aos espectadores se resume apenas ao áudio.
Posicionados nas curvas e laterais dos circuitos, os torcedores dificilmente reagem à aproximação de um carro em alta velocidade. Quando a barreira de segurança diretamente em frente a eles é atingida em cheio pelo veículo, eles ficam simplesmente lá parados, como se nada estivesse acontecendo.
Img_normalCertas colisões fazem com que elementos do cenário, como pedaços de madeira, montes de feno ou pneus, sejam atirados em direção à torcida. Apenas nesses casos os espectadores esboçam algum tipo de reação, que normalmente se resume a cobrir o rosto com as mãos ou se abaixar. Bem diferente do que é visto nos acidentes reais, em que os torcedores fogem ao primeiro sinal de que um desastre está se aproximando.
Chega de papo, eu quero jogar!
Em diversos momentos do game, narradores digitais interferem para explicar ao jogador algumas das funções básicas do game ou introduzir novos modos de jogo. Esses trechos, porém, não podem ser cortados e entram no caminho daqueles que procuram uma diversão rápida com DiRT 3. É uma função simples à qual a Codemasters poderia ter dedicado mais atenção.

Vale a pena?

Os pontos negativos apontados na análise influenciam muito pouco na experiência de DiRT 3. O título da Codemasters pode ser considerado, sem sombra de dúvidas, o melhor título de rali já lançado. E não seria exagero colocá-lo também entre os principais games de corrida desta geração.
Os pequenos problemas não tiram o brilho do título, que apresenta gráficos belíssimos, visual arrojado e desafio interessante. Acima de tudo, DiRT 3 é um título diferente daquilo que a maioria dos gamers está acostumada. Não tem a variedade de carros e o realismo de Gran Turismo 5, mas também não precisa de nada disso.
Para os fãs da categoria, DiRT 3 é um prato cheio, e apresenta tudo aquilo que a modalidade tem de melhor. Ao restante, serve como uma variação completa dos games tradicionais do gênero e apresenta desafios que não existem em nenhum outro título.

BaixakiJogos

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